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Por que o frio aumenta as dores em pacientes com dores crônicas e doenças autoimunes?

  • Foto do escritor: Camila Carmona
    Camila Carmona
  • há 4 horas
  • 4 min de leitura

Por que o frio aumenta as dores em pacientes com dores crônicas e doenças autoimunes?

Com a chegada dos dias frios, é muito comum ouvirmos frases como: "Minha dor piorou" ou "Parece que minhas articulações travaram". Embora algumas pessoas ainda considerem isso um mito, a ciência mostra que existe, sim, uma relação entre as baixas temperaturas e a intensificação dos sintomas em pacientes com dores crônicas e doenças autoimunes.

Na Creabily, observamos esse fenômeno diariamente. Pacientes com fibromialgia, artrite reumatoide, osteoartrite, lúpus, espondiloartrites e outras condições relatam aumento da dor, fadiga, rigidez e redução da disposição durante os períodos mais frios do ano.

Mas por que isso acontece?

1. Vasoconstrição: menos circulação, mais dor

Quando somos expostos ao frio, o organismo prioriza a manutenção da temperatura corporal central. Para isso, ocorre a vasoconstrição, ou seja, os vasos sanguíneos periféricos se contraem.

Essa resposta fisiológica reduz o fluxo sanguíneo para músculos e articulações, diminuindo o aporte de oxigênio e nutrientes e dificultando a eliminação de substâncias relacionadas à dor.

O resultado pode ser:

  • aumento da tensão muscular;

  • maior rigidez articular;

  • piora da mobilidade;

  • intensificação da percepção dolorosa.

2. Aumento da rigidez muscular e articular

As baixas temperaturas reduzem a elasticidade dos tecidos moles e aumentam a viscosidade do líquido sinovial, responsável pela lubrificação das articulações.

Consequentemente, muitos pacientes apresentam:

  • sensação de "travamento";

  • movimentos mais lentos;

  • maior dificuldade para iniciar atividades;

  • espasmos musculares mais frequentes.

Em pessoas com osteoartrite ou doenças inflamatórias articulares, esse efeito tende a ser ainda mais evidente.

3. Sensibilização do sistema nervoso

Pacientes com dor crônica frequentemente apresentam um fenômeno chamado sensibilização central.

Nesse processo, o sistema nervoso torna-se mais responsivo aos estímulos, fazendo com que sinais normalmente toleráveis sejam interpretados como dolorosos.

O frio parece potencializar essa resposta.

Por isso, indivíduos com:

  • fibromialgia;

  • síndrome dolorosa miofascial;

  • dores persistentes na coluna;

  • neuropatias periféricas,

podem perceber aumento importante dos sintomas durante o inverno.

4. Inflamação e doenças autoimunes

Embora o frio não cause diretamente a atividade da doença autoimune, diversos estudos sugerem que fatores ambientais podem influenciar a intensidade dos sintomas.

Pacientes com:

  • artrite reumatoide;

  • lúpus eritematoso sistêmico;

  • espondilite anquilosante;

  • artrite psoriásica,

frequentemente relatam piora da dor e da rigidez em períodos frios e úmidos.

Além disso, o inverno pode favorecer:

  • menor exposição solar;

  • redução dos níveis de vitamina D;

  • menor prática de atividade física;

  • pior qualidade do sono.

Todos esses fatores contribuem para amplificar a experiência dolorosa.

O que a ciência mostra?

Embora os mecanismos ainda estejam sendo estudados, há evidências relevantes demonstrando associação entre condições climáticas e dor musculoesquelética.

Alguns estudos importantes incluem:

Thorarinsdottir et al. (2017) – Clinical Rheumatology

Demonstraram que pacientes com doenças reumáticas frequentemente associam mudanças climáticas, especialmente frio e umidade, ao aumento da intensidade da dor.

Koskela et al. (2016) – Arthritis Research & Therapy

Observaram maior sensibilidade dolorosa ao frio em pacientes com artrite reumatoide, sugerindo alterações na modulação da dor.

Malfait & Schnitzer (2013) – Nature Reviews Rheumatology

Destacaram a importância de abordagens individualizadas e baseadas em mecanismos para o tratamento da dor na osteoartrite.

Bartunik et al. (2006) – Immunology and Allergy Clinics of North America

Descreveram como fatores ambientais podem interferir na resposta inflamatória e nos sintomas em diferentes doenças imunomediadas.

Embora nem todos os estudos encontrem a mesma magnitude de efeito, existe consenso de que muitos pacientes percebem piora clínica durante o frio e que essa percepção merece atenção terapêutica.

Como podemos minimizar esses sintomas?

A boa notícia é que existem estratégias eficazes para reduzir o impacto do inverno sobre a dor.

Exercícios terapêuticos regulares

O movimento é um dos recursos mais importantes no controle da dor.

Programas individualizados ajudam a:

  • melhorar a circulação;

  • preservar a mobilidade;

  • reduzir rigidez;

  • fortalecer músculos estabilizadores;

  • modular o sistema nervoso.

O Pilates terapêutico é uma excelente opção para muitos desses pacientes.

Terapias físicas

Dependendo da avaliação clínica, podem ser utilizados recursos como:

  • terapia manual;

  • osteopatia;

  • exercícios neurofuncionais;

  • liberação miofascial;

  • eletroterapia analgésica;

  • laserterapia;

  • magnetoterapia;

  • tecarterapia;

  • ondas de choque em indicações específicas;

  • neuromodulação.

A escolha deve sempre ser individualizada.

Controle do sono e do estresse

Sono inadequado aumenta significativamente a percepção dolorosa.

Estratégias para higiene do sono e manejo emocional podem contribuir para melhores resultados clínicos.

Nutrição e suporte inflamatório

Uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes anti-inflamatórios, associada ao acompanhamento nutricional quando necessário, pode auxiliar no controle global dos sintomas.

Exposição ao calor

Banhos mornos, bolsas térmicas e ambientes aquecidos ajudam a reduzir a rigidez e proporcionam alívio temporário da dor.

O olhar da Creabily

Na Creabily, entendemos que dor não é apenas um sintoma isolado. Ela envolve aspectos físicos, emocionais e sociais que precisam ser avaliados de forma integrada.

O frio não cria a dor, mas pode intensificar mecanismos já existentes no organismo. Por isso, períodos de inverno exigem ajustes terapêuticos, acompanhamento próximo e estratégias individualizadas.

Se você percebe que suas dores pioram nessa época do ano, saiba que isso não significa falta de controle ou "fraqueza". Seu corpo está respondendo a estímulos ambientais que podem ser manejados com orientação adequada.

Com o tratamento certo, é possível atravessar o inverno com mais movimento, menos dor e melhor qualidade de vida.

Creabily – A Arte da CuraCuidar é compreender cada detalhe do seu corpo para que você possa viver com mais liberdade, autonomia e bem-estar.

 
 
 

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